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Crônica A Crônica da Semana

OS CEM ANOS DO RÁDIO NO BRASIL - I

Crônica com Pedro Paulo Paulino

24/06/2022 04h55 Atualizada há 15 horas
Por: Pedro Paulo Paulino
© Skitterphoto
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O ano de 2022 é um ano marcante dentro a história do Brasil. Em 7 de setembro, assinala-se o bicentenário da Independência, que aconteceu em 1822, sob a gritaria de Pedro de Alcântara, o Primeiro. Celebra-se também o centenário da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922. Outra comemoração festiva é o centenário da radiodifusão no território nacional. Tudo começou com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, do icônico Roquette-Pinto, atual Rádio MEC, que fez a transmissão ao vivo das festividades do então centenário da Independência.

As primeiras emissoras eram empreendimentos de grupos de empresários, como Alfredo Mayrink Veiga e o farmacêutico Cândido Fontoura – criador do Biotônico Fontoura –, além de profissionais liberais, dentre outros, que se aglutinavam no mesmo projeto. Por isso, as emissoras ganhavam nomes como rádios Clube e Sociedade, além dos prefixos PRE.

A Era de Ouro do Rádio no Brasil, entretanto, deu-se na década de 30, com a chegada da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, emissora de imenso aparato tecnológico e humano e enorme sucesso, com seus programas de auditório, programas humorísticos e radionovelas, pilares de construção da futura televisão brasileira. “Em uma época em que era mais doce ser brasileiro, os acordes do prefixo da PRE-8 convocavam senhoras e meninos, funcionários e cozinheiras. Em torno dos pesados aparelhos a válvula, famílias, vizinhos e amigos sofriam com as paixões de O direito de nascer, gargalhavam com os inquilinos do Balança mais não cai, atentavam para o plantão do Repórter Esso”, escreve Ronaldo Conde Aguiar, no livro Almanaque da Rádio Nacional.

No Ceará, consta que a primeira emissora de rádio foi a Ceará Rádio Clube, antiga PRE-9, ainda hoje transmitindo na frequência de amplitude modulada (AM). Ela surgiu em 1934, no alvorecer do rádio comercial no Brasil, três anos após o caudilho gaúcho Getúlio Vargas ter promulgado o primeiro estatuto específico da radiodifusão nacional.

Depois da Clube, prefixos de grande audiência foram surgindo na Capital cearense. Transmissores potentes que faziam chegar o som de suas emissoras aos mais distantes rincões do interior do estado. Nas residências interioranas, a ostentação, nessa época, era exibir um rádio modelo Semp ou ABC Canarinho, movidos a quatro pilhas. E neles ouviam-se as vozes antológicas do rádio cearense. Na minha infância, nos anos 70 do século passado, era um encanto ouvir os astros do rádio do nosso estado. Ceará Rádio Clube, a católica Rádio Assunção Cearense, Rádio Iracema penetravam com larga audiência nos mais distantes rincões rurais do estado. Sem que se fale na então Dragão do Mar (que depois mudou de nome e denominação), com sua memorável marca registrada “A Dragão dá o bis”. E a Rádio Uiapuru de Fortaleza, atualmente a serviço do “reino de Deus”, sob o império de uma seita.

Os radiouvintes mais antigos ainda devem ouvir os ecos de vozes e clichês inconfundíveis. Peixoto de Alencar com o seu: “Peixoto de Alencar, quando fala, o Ceará escuta”. Os astros dos programas de forró genuíno. Aurélio Brasil. José Lisboa, que diariamente encerrava seu Alô, Sertão, com o bordão: “Acabou-se o milho, acabou-se a picoca”. E o inesquecível e irreverente Guajará Cialdini, com seu forrozão matutino Guajará no Varandão e seu bordão “forró de prego virado e ponta batida”. E Narcélio Lima Verde, lenda do rádio cearense. E Irapuan Lima. E tantas e tantas outras celebridades, com seu imenso fã-clube. Muitos dos quais tiraram proveito da fama, para abrir caminho na política, a exemplo do ex-senador Cid Carvalho, ainda hoje, octogenário, apresentando seu Antenas e Rotativas, na Rádio Cidade AM.

Nas cidades interioranas cearenses, pelo menos da região Norte ao Sertão Central, polarizavam as imbatíveis audiências das rádios Tupinabá de Sobral e Cristal de Quixeramobim. Quem, dessa época, não relembra com franco saudosismo o programa Seu presente é música? Foi quando, no final dos anos 70, José Pessoa de Araújo, o nosso Roquette-Pinto, com um projeto arrojado e pioneiro, expandiu a radiofonia em pelo menos cinco cidades interioranas, com sua rede de rádios Uiapuru, abrindo emissoras em Canindé, Quixadá e Boa Viagem, por exemplo.

Com a chegada da comunicação eletrônica, o velho e bom rádio AM parece estar com seus dias contados. Vão prevalecer as emissoras FM e rádios web, sem que isto, no entanto, interfira na companhia gostosa do rádio. Do contrário, a nova tecnologia está contribuindo para uma nova era da radiodifusão. Voltaremos ao assunto. Antes, gostaria somente de lembrar uma coisa. Bem antes daquele italiano tido e havido como inventor do rádio, um brasileiro lá dos pampas gaúchos, chamado Roberto Lendell de Moura, padre e inventor, apresentou, por volta de 1894, um aparelho de comunicação sem fio, o primeiro em todo o mundo e precursor do velho rádio. Bom, mas esta é outra história. E viva o rádio brasileiro!

 

Pedro Paulo Paulino

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Sobre A Crônica da Semana com Pedro Paulo Paulino
Jornalista, cordelista e diagramador.
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